rain maker - Costa Rica

não se descreve a chuva. e só se dá por ela quando falta ou cai em demasia. assim é este blog. é, ou não é.

8.27.2005

hope of rain





refresco os olhos

a espera é longa já!



in

bom dia












vou descansar

em areia branca...

WhiteSands Plant
work by Professor Bert Otten


uma ave desperdiçou semente e eu brotei.

noite e morte


painting by colin woolf


as asas que me deram tinham deserto já

e eu sabia toda a noite

dos tempos do meu ante-nascer

não sabia era ainda como a carregaria

como se entranharia no meu sangue



a noite que me toldava o voo

havia eu de amar como amo hoje

até que ela termine ou eu acabe

por isso aqui, de pé, espero a manhã.

"olho de mocho bom"













que sorte! o nome que me deram tinha olhos. depois foi só aprender a olhar.

oração

Stairway to Church, Portugal - Prof.Bert Otten

razem por mim, isso eu nunca aprendi...

8.26.2005

a arte da aranha

Alan Bauer

Lmatta, encontrei esta, belo trabalho, não? :)


8.25.2005

Borboletas, Lique.

philg@mit.edu

Elo com a Paz

descoberta minha óbvia mas


verme-peloso


às vezes esqueço o óbvio: um verme não se vê porque rasteja e se confunde com o ambiente.

8.24.2005

A uma amiga Loba

[The Island], NOAA, John Bortnaik



Que reflecte o branco da lua e não só.

Obrigada

para lá das nuvens


au-dessus-des-nuages


...eu mandaria a minha dor de cabeça
"a rose is a rose is a rose"

Adams Rose And Driftwood


a rosa que de ti não me veio

sonhei-a eu com a força da vontade

e mandei emoldurá-la a oiro para a expôr

em tela de veludo a repousei

que bela como era menos não merecia

depois fui pendurá-la ao nível dos meus olhos

a toda a hora que quisesse a via



mas ainda decorar-lhe os contornos ia a meio

desapareceste tu para lá da idade

e penso ao lembrar-te não sem algum receio

será que irias dar-ma e eu precipitei o frio

que sinto agora ao vê-la na parede?


a rosa que de ti nunca veio e eu sonhei...


Dave Swanson Photographer -Marcell, Minnesota


8.23.2005

dia a dia - a flor


stark-beauty-in-old-lane

mãos sujas de alegria


La Esperanza, el pan y la alegria...
XX Concurso de Ojodigital: NIÑOS, La Esperanza

foi já há muito tempo mas como lembra bem!

tinham mudado mais uma vez de casa na procura de melhor trabalho para o pai. ele lutava muito, não cruzava os braços face às dificuldades, nunca o fez.

a criança ainda mal entendia isso, se sequer entendia.

era de pouco apetite. mas àquela hora da tarde comia sempre pão, era costume e disso ela gostava. de mastigar os jantares de prato cheio é que não. preferia brincar na rua ao ar, sem casa que se avistasse na distância. eram mais baratas as rendas nas casas fora dos povoados.

- mãe, dê-me pão com manteiga se faz favor.

pediu. a mãe não respondeu. a criança estranhou. não teria ela ouvido? costumava apressar-se a dar-lho antes que se arrependesse e dissessse já não ter fome. insistiu, é que o estômago falava mais alto nessa hora.

- mãe, o meu pão com manteiga...

a mãe olhou-a com um olhar diferente. engoliu seco e disse:

- espera mais um bocadinho até o pai chegar, não há manteiga e a mãe não tem dinheiro para a ir comprar.

o pai viria tarde? deu consigo a pensar.

- mas tenho fome!

- só tenho margarina vaqueiro...

olhos castanhos tristes. pobre mãe.

- então como com margarina. mas corta a mãe.

era tão bom o pão! mesmo com aquilo.

correu para a rua como de costume, para não perder pitada até o sol se pôr.

era já noite quando o pai voltou. tinha a mãe uma panela de sopa de grão pronta no lume.

- tens as mãos cheias de gordura. se te agarras assim ao pai suja-lo todo. vai lavar as mãos, vai!

não foi. tinhas as mãos sujas de alegria e assim se atirou ao pescoço do pai, como sempre fazia.
perfil


de Malangatana

8.22.2005

seja qual for o caminho



vou em frente nem que seja preciso abrir de novo os mares rasgar as terras

saltar montanhas abrir trincheiras e galgar as guerras infindáveis

não me tentem chamar que eu não tenho intenção sequer de ouvir

o que quer que me venha do passado. a vida é na direcção em que vou

não me distraio um segundo que seja do meu passo, urge o tempo.

a todas as horas é para mim manhã irrecuperável senão for abraçada.

vou a seguir a vida antes que ela me fuja e não me apetece nada olhar para trás!

ri melhor quem...

o "mancha" (com direcção).


após esta triste apresentação, peço desculpa a toda a Gente que, além dele frequenta este blog.

Obrigada.











(neste caso o espaço vazio é o conteúdo da personagem. fim de texto).

anseio simples



no verão todos os cantos são de posse. ninguém sonha. não precisa. todo o ano sonhou para um só verão.

adquiriu.

têm os ricos as viagens os refúgios. os médio-burgueses trabalharam todo o ano, pediram o que falta a juro razoável para ter sabe-se lá o quê. aos pobres o calor manda-o o céu.

o verão é pois a época do ter.

e eu, que sou virada do avesso, só espero que ele passe para retomar um viver razoável, despojado.

quero as folhas das árvores caídas no jardim perto à casa, aos domingos, quando não vão os jardinheiros varrê-las, para ter um tapete natural. quero ver os melros de novo a comer minhocas que quase se afogam no chover e sonhar com cascatas que não há por perto, mas algures há-de haver.

só quero não ouvir falar de fogos (ainda haverá para o ano algo para arder, neste meu país de esquecimento, onde tudo é sempre, sempre adiado?).

tenho o anseio simples do outono que me viu nascer. tenho-o a cada dia de calor.

céus, como é interminável o verão, todos os anos!

e amo, amo o cheiro da terra quando chove e vou para rua à primeira chuvada para a sentir no corpo como benção, enquanto água houver...

é um anseio, um sonho que se prolongou mais este ano que passou. porque se passou de verão a verão sem que chovesse.

ah, essa benção que é a chuva, virá ela?

e se não vem? que vamos nós fazer?

o anseio este ano não é só meu. mas para que chova com normalidade, tanta coisa há que resolver!

não será no meu tempo e, se demoram, poderá um dia nem a chuva querer voltar a cair.

anseio simples, eu sei. mas que de ano a ano, irei manter.

8.21.2005

diálogo?

enquadramento

bird-poop-island by Keir
ao meu Irmão OGNI


que vê uma ave que eu não vejo?

um falcão voa e cai a pique.

na hora certa, no momento exacto

vê de cima. vê mais e vê melhor

por onde eu já passara e nada vira.

quem lhe deu o condão?

não quero saber, sou egoísta demais

basta-me que continue a voar alto

e a sentir e a ver mais longe cada dia

que vejamos através do olhar dele

que voe e poise só quando cansar

que seja as nossas asas e o nosso olhar.



by Keir

e se vir através, melhor ainda.



meu Irmão minha ave meu artista

de penas de cetim, um deus te vista!



Parabéns Ognid, Deus te abençoe e a quem te trouxe ao mundo.

Madalena Pestana