rain maker - Costa Rica

não se descreve a chuva. e só se dá por ela quando falta ou cai em demasia. assim é este blog. é, ou não é.

8.13.2005

ciúme-erosão



preferia falar do jorro de água que irrompe da rocha numa frescura branca que ilumina a alma e a dessedenta.

até de flores e aves e de ninhos e de insectos inúteis eu preferia falar. de osgas de caracóis das lesmas do jardim que me devoram plantas até ficar só caule.

preferia, meus deuses! falar de fogos e de secas.

mas não, heis-me a falar de ciúme.

e logo eu que não o sinto, nem tenho sequer de quem o ter.

porquê então?

porque me entrou hoje em casa, nesta casa!
e deixou pégadas e me fez gastar um balde de água preciosa a apagá-las, de vez.

mascarado de gente. disfarçado e à socapa, pelo escuro, pelas costas. que o ciúme é cobarde, não sabiam?

o ciúme é coisa séria, destrutiva, demente. não tem olhos nem razão. é disforme prepotente corrosivo.

o ciúme nem sabe porque existe: está lá.

a gente reconhece-o à distância, pela maldade a mediocridade a mesquinhez.

e o grave é que o ciúme, é como os monstros das histórias de vampiros, alimenta-se de quem diz gostar e tenta destruir aquilo que afinal, possuir é que queria.

ainda por cima, e tal qual um vampiro não tem reflexo, não pode ver-se ao espelho. emendar-se está pois, fora de questão.

pobre do ciúme que aqui passou por casa, numa tentativa de atrair atenção.

bateu na porta errada. bata a outra.

quem sabe tenha lá a sorte que não teve neste recanto que é, e continua meu.

ciúme é erosão, auto-erosão.

acaba destruindo quem o tem, até não deixar pedra sobre pedra.


e agora volto à água fresca que em baixo brota e corre.
e não volto ao ciúme que é onde tudo morre...


Jorro

upper.horsetail Bernd Mohr's

8.11.2005

O Riso



Rir, rir como ela ri
Rir de, rir com, rir para
Rir!

Rir de tudo e de nada
Do céu e do inferno
Rir da vida e da morte

Sobretudo da morte
que é o fim do riso.

Amar a rir
Parir a rir
Navegar pelos sonhos
Rindo!

Rir de raiva, de ironia
de puro prazer!

Ter o riso afiado
na ponta das palavras

Rir à beira do choro
convulsivo

Rir dos importantes
Dos patéticos
Dos desesperantes
medíocres

Rir para todos
os amantes

Rir sempre com
os Amigos e os escolhidos
Irmãos!

Rir a bom rir:
que isto de ser português
é engraçado mesmo!

Rir por rir
pode ser parvo mas é bom

E por fim rir ainda
mas de mim
soltar uma sonora gargalhada
que me ilumine o fim
já que me obrigaram
a chorar à chegada.
Mas nessa hora
estava muito mal
acompanhada!


Rir.


8.10.2005

estátuas


old-man-w-dog - Talon Photos



old-man by Tristan

ausente

The Long Goodbye - Madeleine McKay






Procurava a tua ausência e encontrei-te a ti.
E o mundo desabou segunda vez


Nasceste viveste e te ausentaste para sempre

tão fora do teu tempo!


Viveste realmente?

Sim, ficaram os teus livros e os teus filhos
e eu que resisto a tudo

para contar uma história que não quer terminar.


Deixo um espaço vazio entre a tua imagem e esta
desesperada escrita.


Entre ti e o mundo já só silêncio havia
durante esse teu longo longo adeus.


Meu amor do sofrer!


Nem emprestar-te a vida Deus me deixou fazer.


Quem terá sido esta outra madalena
que parece até ter-te conhecido?
- não sei, mas viu como eu, o seu Cristo a morrer.

Até já!
Voltarei a encontrar-te. Tem de ser.


"porque há qualquer coisa
porque há qualquer coisa
porque há qualquer coisa!"


- citavas. Meu querido querido Homem
tem de haver!

madalena pestana

8.09.2005

no need of words!


photo by Stewart Lloyd-Jones

JÁ CHOVE !!!!


Trail After Rain by Dan Baumbach 2002


rain-maker


conseguiu trazer o arco-íris...


por breve, breve tempo, mas ele

há-de voltar!

homofóbicos os meus visitantes? - NÃO!!!

não são homofóbicos os meus visitantes, pelo menos parte deles já o demonstraram.

foi um bom teste e uma estranha, mas interessante experiência para mim, que muito aprendi com ela.

obrigada a quem participou.

8.08.2005

viver na sombra?




ou assumir o amor



photo from The Tribune



a cor, seja qual for?




Goddessheart Photography


e fica o desafio a quem passar...

(está no feminino a maior parte, por me parecer ser menos fácil de aceitar entre a comunidade heterossexual, pelo que tenho visto e ouvido, apenas.)



mulher?

da pedra se faz a escopro e martelo
a beleza da estátua.
de tanto a contemplar acredita-se : é gente.

tantas vezes uma mulher-estátua de pedra
se pensa ela própria uma mulher
milagres da arte ou da projecção
de quem a contemplou e achou bela.

que fica entre o que se contempla
e a contemplada
beleza fria e feminina então, nada?
não
nada, seria bom.

há o monstro que ganhou vida e a multiplica
e gera montros com que brinca
brincando com destroços, fragmentos
da vida que criou.

mãe, mulher, beleza e... pedra fria.

pobres filhos de pedra deformada
pedra que gera pedra
não gerou
mais que a continuação de si
e só a si amou.

e o artista partiu. sorriu de vê-la.
burilou-a e gostou
mas não ficou.

tantos filhos de pedra
a cercam
sem que a mão do artista
possa retocá-los.
almas feitas de pedra
frieza e sem beleza.

crueldade de pedra
abandonada
que deixou de ser bloco em bruto
sem ninguém
lhe pedir opinião nem nada
e se vê agora fria e rejeitada
pelo turista
que passou e nem olhou .

pobre e perversa pedra mal amada

que um dia de outro artista se vingou.



a um Irmão que sofre, com o maior carinho.

e um dia o amor vira leilão


OstWest Kozlowski


Diz-me
que cada palavra trocada
que cada abraço revelado
que cada beijo molhado
valem mais
que números frios
em catálogos gravados
de uma vida que se perdeu…

Diz-me
que para lá deste aposento
gaivotas esvoaçam ao vento
de momentos constantes
perdidos em emoções
em permanente ilusão
que não acaba
em leilão…

Diz-me
que as nossas mãos se unirão
mais uma vez em nossos corpos sedentos
daquela magia que nos juntou…

Diz-me
que afinal
nada terminou…

Diz-me…


poema de
Menina-Marota


menina-marota, obrigada pelo Poema deixado nos comentários.

Muitas vezes é isto o que se quer ouvir quando se deita o respeito, o afecto, enfim parte da vida pela janela fora.


8.07.2005

de luto

blackmagic.

e estão de luto as flores por não chover