rain maker - Costa Rica

não se descreve a chuva. e só se dá por ela quando falta ou cai em demasia. assim é este blog. é, ou não é.

7.14.2005

a Rimbaud


A Rimbaud- per Livia Alessandrini

ALQUIMIA DO VERBO


Para mim. A história das minhas loucuras. Há muito me gabava de possuir todas as paisagens possíveis, e julgava irrisórias as celebridades da pintura e da poesia moderna. Gostava das pinturas idiotas, em portas, decorações, telas circenses, placas, iluminuras populares; a literatura fora de moda, o latim da igreja, livros eróticos sem ortografia, romances de nossos antepassados, contos de fadas, pequenos livros infantis, velhas óperas, estribilhos ingênuos, rítmos ingênuos. Sonhava com as cruzadas, viagens de descobertas de que não existem relatos, repúblicas sem histórias, guerras de religião esmagadas, revoluções de costumes, des- locamentos de raças e continentes: acredi- tava em todas as magias. Inventava a cor das vogais! - A negro E branco, I vermelho, O azul, U verde. Regulava a forma e o movimento de cada consoante, e , com ritmos institivos, me vangloriava de ter inventado um verbo poético acessível, um dia ou outro, a todos os sentidos. Era comigo traduzí-los. Foi primeiro um experimento. Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível. Fixava vertigens.

JEAN-ATHUR RIMBAUD.

Tradução de Paulo Hecker Filho

3 gotas:

Blogger wind deixou estas gotas

Espectacular texto e linda imagem:) beijos

14/7/05 3:14 da tarde  
Blogger Vênus deixou estas gotas

Belíssimo....especialmente:

"Escrevia silêncios, noites, anotava o inexprimível.
Fixava vertigens"

D+++++++++++++++++++
Beijo:)

14/7/05 3:55 da tarde  
Blogger Mocho Falante deixou estas gotas

viva, passei por aqui e gostei imenso do que vi e li, passarei mais vezes com a tua permissão

Um abraço

14/7/05 10:36 da tarde  

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